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Jardim de Mil Histórias

Jardim de Mil Histórias

21
Mar16

Conversas de Mil Histórias | Alix Christie

Isa Pereira

Hoje nasce mais um segmento aqui no blog: Conversas de Mil Histórias. Um espaço de entrevistas e conversas onde pudemos ficar a conhecer os autores e as suas obras.

E a estreia desta rubrica não podia ser melhor. Alix Christie, autora do livro O Aprendiz de Guttemberg, lançando este mês pela editora Saída de Emergência foi a minha primeira convidada.

Um livro e uma autora que valem bem a pena conhecer.

Espero que gostem.



Jardim de Mil Histórias - Yourfamiliy is linked to world of printing. How was it to grow inside thatbusiness?
Alix Christie - I was luckyto have a grandfather who ran a type foundry in San Francisco and printed byletterpress at home. From him I got my love of the press, which also includedthe presses of newspapers. I'm a journalist like my mother before me, and Ithink that my whole life I have believed that printed words are the mostpowerful tool we have for human progress. And making books by hand is just alot of fun.


J.M.H. - In whatway was that important for your love for writing?
A. C. - Writingfollowed reading. We're a bookish family: everybody in my family reads a lotand some of us became writers; my sister is a poet.  If you cherish words and writing, you reallyappreciate excellent writing, and are somehow inspired to aim much higheryourself. I really am mainly interested in literature that tries to reveal theworld, in as true a way as possible.


J.M.H. - How didyou come up with the idea of writing a book about Gutenberg?
A. C. - It was alucky coincidence: I read a news article about how Gutenberg might have madehis first types, then I found a book about Peter Schoeffer, his apprentice. Myinterest and curiosity were piqued, and the more I researched, the more I wasamazed that the story hadn't really been told in a fictional way before.


J.M.H. - This novel The Gutemberg Apprendice is based on true events?
A. C. - Yes. It wasvery important to me to try to tell as accurate a story as possible, based onwhat book historians know about these long-ago events. I wanted to imagine atale that might explain the books and evidence that have survived, and put thishistoric invention in its time and place. It's a historical fiction, and assuch is my own interpretation of things that might have happened 565 years ago.


J.M.H. - Whatreaders can expect from this book?
A. C. - I've beentold that readers really feel they are immersed in the world of the late MiddleAges in Germany, and are living this amazing adventure right along with thecharacters. It's also clear that many of the feelings this new technologybrought to people then are parallel to what we are experiencing today. Soreaders should prepare to reflect on the impact of digital technology on theirown lives, just as those medieval readers felt this staggering new technologychanging theirs.


J.M.H. - What areyour favorite authors?
A. C. - Fyodor Dostoevsky,George Eliot, Don DeLillo, Marilynne Robinson, Hilary Mantel.


J.M.H. - Whatprojects do you have for the future?
A. C. - I'm finishingsome short stories while I begin research on my next historical novel, set in19th century America.


Alix, thank you for this interview.

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J.M.H. - A sua família está ligada ao mundo da impressão. Como foi crescer no seio desse mundo?
A. C. - Tive a sorte de ter um avô que geria uma fundição em São Francisco e poder fazer impressão tipográfica em casa. O amor pelo mundo da impressão veio dele, assim como o gosto pelos jornais. Sou jornalista, como também a minha mãe, e durante toda a minha vida considerei que a impressão de palavras é um dos instrumentos mais poderosos do desenvolvimento humano. E poder fazer os livros à mão é muito divertido.


J.M.H. - Em que medida é que isso foi importante neste seu gosto pela impressão?
A. C. - Depois da leitura vem a escrita. Somos uma família amante de livros: todos os membros da minha família lêem muito e alguns tornaram-se escritores. Se aprecia palavras também aprecia uma boa escrita e sentir-se-á inspirada. Tenho especial interesse na literatura que tenta revelar o mundo, na sua verdadeira essência.


J.M.H. - Como lhe surgiu a ideia de escrever um livro sobre Gutemberg?
A. C. - Foi uma feliz coincidência. Li um artigo sobre como Gutemberg tinha feito as suas primeiras impressões, e descobri um livro sobre Peter Schoeffer, o seu aprendiz. O meu interesse e curiosidade aumentaram e quanto mais pesquisava mais maravilhada ficava pelo facto desta história nunca ter sido contada através de ficção. 


J.M.H. - Este seu romance O Aprendiz de Gutemberg é baseado em eventos verídicos?
A.C. - Sim. Foi muito importante para mim contar uma história tão precisa quanto possível com base no que os livros dos historiadores nos contam sobre estes eventos. Queria imaginar uma história que pudesse explicar os livros e os factos que sobreviveram e colocar estes eventos históricos no seu devido tempo e local. É um romance histórico e é a minha interpretação das coisas que aconteceram há 565 anos atrás.


J.M.H. - O que é que os leitores podem esperar deste romance?
A. C. - Têm me dito que os leitores sentem verdadeiramente este mundo da Idade Média na Alemanha e vivem esta maravilhosa experiência juntamente das personagens. É certo, também, que muitos destes sentimentos que estas novas tecnologias trouxeram às pessoas da altura são paralelas ao que vivemos hoje em dia. Desta forma, os leitores devem estar preparados para reflectir sobre o impacto da tecnologia digital nas suas vidas, assim como os aqueles leitores medievais sentiram esta nova tecnologia na mudança da vida deles. 


J.M.H. - Quais são os seus autores preferidos?
A. C. - Fyodor Dostoievski, George Eliot, Don DeLillo, Marilynne Robinson, Hilary Mantel.


J.M.H. - Quais são os seus projectos para o futuro?
A. C. - Estou a terminar alguns contos e também a investigar para o meu próximo romance histórico que se irá passar, na América, no século XIX. 


Alix, muito obrigada por esta entrevista.



Boas leituras a todos!


Nota:

Esta entrevista foi realizada com o apoio da editora Saída de Emergência.

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