Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Jardim de Mil Histórias

Jardim de Mil Histórias

05
Abr21

Opinião | "O Lugar das Árvores Tristes", de Lénia Rufino

Isa Pereira

Ficheiro_000.jpeg

 

Título: "O Lugar das Árvores Tristes"

Autor/a: Lénia Rufino

Editora: Manuscrito

Edição: 03/2021

Classificação: 

Comprar: Wook (Link de afiliado)

Ficha do livro: Goodreads

 

Deixem-me dizer que esta capa é lindíssima. Ainda ontem num post na minha página do Instagram falava das capas das edições portuguesas. Que, normalmente, ficavam muito aquém das edições internacionais. Mas estamos num bom caminho e esta capa é a prova disso. 

Mas falemos da sua história, que é por isso que vos escrevo. Uma história simples, mas com tanto para dizer, discutir, para rir e para chorar. Uma história tão nossa. Revi personagens, momentos, lugares. 

Li este livro em 24 horas. Comecei no sábado e no domingo estava terminado. Lemos este livro sem parar. Ficamos sem fôlego. A escrita é irrepreensível: bonita, envolvente e viciante. E tenho o maior orgulho que a autora seja portuguesa. Não deixem de o ler, por favor. Prometo que vai ser uma leitura fantástica.

 

 

Sinopse

Isabel não tinha medo dos mortos. Gostava de passear por entre as campas do cemitério, a recuperar as histórias da morte daquelas pessoas. Quando a falta de alguma informação lhe acicatava a curiosidade, perguntava à mãe...

Quando esta se recusa a dar-lhe uma resposta sobre uma mulher chamada Eulália, Isabel inicia uma busca por esclarecimentos. Só que ninguém quer falar sobre o assunto e, inesperadamente, Isabel vê-se confrontada com uma teia de mentiras, maldade, enganos e crimes que a levam a compreender o passado misterioso da mãe e a forma quase anestesiada da sua existência.

Um romance de estreia profundamente sagaz e envolvente que faz um retrato do interior português preso na tradição religiosa da década de 1970.

 

Leitura com o apoio da editora Manuscrito.

unnamed.jpg

 

14
Set20

Opinião | "Um Pingo na Água", de Ann Yeti

Isa Pereira

IMG_3923.jpg

Este não foi o primeiro livro que li da autora Ann Yeti. Anteriormente li "Um Fio de Sangue" (que gostei muito). Já conhecia a escrita da autora. Uma escrita simples e acessível, sem muitos "adornos". Como eu gosto. 

Este é um livro com personagens fortes. A protagonista, Ana, conquista-nos desde a primeira página. Uma história de determinação e sonhos. 

Gostei da história, mas não me arrebatou. Gostava que tivesse sido mais aprofundada. No entanto, é um bom livro para alternar entre leituras mais pesadas. Vale a pena acompanhar o percuro desta autora.

Boas leituras.

 

 

 

30
Mai20

Opinião | "O Bairro das Cruzes", de Susana Amaro Velho

Isa Pereira

IMG_1870.jpg

 

Opinião:

Tenho que começar por dizer que li este livro por influência direta da minha querida @sofialibrary. Temos muitos gostos em comum. Logo, não hesitei em pegar neste livro quando ela me recomendou. 

Gosto de ler livros recomendados. Principalmente de novos autores portugueses. Foi graças a este mundo (blogues, instagram e youtube) que conheci muitos. E o que sinto na maior parte das vezes é que muitos deles passam despercebidos para a maioria do público. Livros tão bons como este não deveriam passar assim despercebidos. Esta é uma das razões de existência do meu blogue (entre outras plataformas): partilhar novos autores e livros que vão encontro dos gostos dos "meus" leitores.

Já escrevi tanto e ainda não falei no livro. Mas se ainda não tiverem vontade de o ler a culpa é minha, pois não soube passar bem a mensagem. 

Esta é a história da Luísa que mora no Bairro das Cruzes, na zona de Mafra. A narrativa atravessa os anos 60 e 70.  Muitos se identificarão com as aventuras da Luísa e de outros habitantes do bairro. Adorei acompanhar a história desta protagonista desde a infância até à idade adulta. É uma história bem escrita, que nos comove e agarra desde o início. 

Não deixem de ler este livro, pois vale bem a pena. 

Boas leituras.

 

Sinopse:

O Bairro das Cruzes conta a história da Luísa. E da Rosa. Conta a história das cruzes que carregamos desde a infância e que condicionam escolhas futuras. Caminhos que se seguem e outros que se evitam. O Bairro das Cruzes atravessa o tempo. O espaço. Mistura comunistas e PIDE e sobrevive às cheias de Lisboa. Carrega um fardo pesado e agarra à terra quem lá nasceu. Quem de lá quis sair, mas regressou. Porque o sangue pode pesar tanto quanto a pedra. E pode ser mais pesado que uma cruz.

 

Detalhes:

Autora: Susana Amaro Velho

Editora: Coolbooks

Edição ou reedição: 2009

 

Nota: Este livro foi gentilmente cedido pela Coolbooks para opinião no blogue. 

coolbooks.gif

 

20
Jan20

Opinião | "A Morte do Papa", de Nuno Nepomuceno

Isa Pereira

asdasd.jpg

Confesso que lia poucos autores portugueses. Mas desde a criação do blogue (que já lá vão 5 anos!!) leio muito mais. Acho que os blogues e hoje em dia as redes sociais permitiram um conhecimento muito maior de autores que anteriormente desconhecíamos (nacionais e não só).

Conheci o Nuno há alguns anos com a trilogia Freelancer com o livro O Espião Português. Quando comecei a ler livros do Nuno sentia que estava perante um autor que iria tornar-se num favorito. Escreve de uma forma que envolve o leitor. Não conseguimos largar o livro. Quem leu todos os livros todos do autor sabe que se sente uma evolução enorme relativamente à sua escrita. É capaz de nos surpreender em todos os livros.

Este livro prendeu-me do início ao fim. A Morte do Papa traz-nos de volta do Professor Catalão. No entanto, não há receio em ler o livro por perder alguma informação dos livros anteriores. O autor faz sempre uma breve contextualização e não vão perder a experiência de leitura.

Leiam! Não se vão arrepender.

 

Nota: Este livro foi gentilmente oferecido pela Editora Cultura para opinião no blogue. 

cropped-20229285_263069587512496_83897672656949797

 

 

 

 

 

22
Fev18

Opinião | "A Porteira, a madame" ,de Joana Carvalho Fernandes

Isa Pereira


Este é um livro de histórias reais. Não são contos, mas histórias de vida. De portugueses que deixaram tudo para trás e foram em busca de uma vida melhor. França foi o país escolhido (ou não). 

Estou certa que muitos de vós conhecerá algumas destas histórias. Todos temos tios, avós ou outros familiares que emigraram. Estas histórias não são nem mais, nem menos que outras. São percurso de vida de quem lutou e ainda luta por uma vida melhor. 

Joana Carvalho Fernandes é jornalista e esteve em França a trabalhar durante bastante tempo. Foi lá que conheceu estas histórias que mais tarde decidiu partilhar através deste livro, uma colecção "Retratos da Fundação", da Fundação Francisco Manuel dos Santos. 

Um livro pequeno, mas com muita vida no seu interior.

Aconselho. Boas leituras.


28
Ago17

Opinião | "A Espia do Oriente", de Nuno Nepomuceno | Trilogia Freelancer # 2

Isa Pereira

Título: A Espia do Oriente
Autor(a): Nuno Nepomuceno
Editora: Top Books
Temática/Género: Literatura /Policial/Thriller
N.º de Páginas: 376 páginas
Edição: 2015



Sinopse:
Dubai, Emirados Árabes Unidos.

De férias na região, um investigador norte-americano é raptado do hotel onde se encontrava instalado. Uma nova pista sobre um antigo projecto de manipulação genética é descoberta e a Dark Star, uma organização terrorista internacional, está decidida a utilizar os conhecimentos deste cientista para ganhar vantagem.

Contudo, de regresso à Europa, uma das suas operacionais resolve trair o sindicato do crime e oferece-se para trabalhar como agente dupla ao serviço da inteligência britânica. O mistério adensa-se quando esta mulher, de nome de código China Girl, impõe como única condição colaborar com André Marques-Smith, o director do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português e espião ocasional.

Obrigados a trabalhar juntos para evitarem um atentado a uma importante líder europeia, uma atmosfera tensa, de suspeição e desconfiança, instala-se de imediato entre os dois. Mas que segredos esconderá esta mulher, cujo próprio nome é uma incógnita? Serão as suas intenções autênticas? Será o espião português capaz de resistir à sua invulgar e exótica beleza?

Vencedor do Prémio Literário Note! 2012, Nuno Nepomuceno regressa com A Espia do Oriente, o segundo livro da série Freelancer. Por entre os cenários reais de Budapeste, Berlim, Londres, Courchevel, Dubai e Lisboa, o autor transporta-nos para um mundo de mentiras, complexas relações interpessoais, e reviravoltas imprevisíveis. Uma reflexão profunda sobre os valores tradicionais portugueses, contraposta com a sua já habitual narrativa intimista e sofisticada, e que vai muito além do tradicional romance de espionagem.



Opinião:
Sendo o segundo livro da trilogia Freelancer do autor Nuno Nepomuceno não vou querer falar muito sobre a história deste livro. Contudo, NÃO LEIAM ESTA OPINIÃO SE AINDA NÃO LERAM O LIVRO ANTERIOR!

Li o primeiro livro de uma assentada. Logo, quando o terminei fiquei ansiosa para iniciar o segundo. No entanto, quis dar a pausa e o distanciamento necessário para não me cansar da narrativa.

Se o primeiro livro foi uma introdução a toda a história neste volume encontramos mais acção e uma aprofundamento da vida de espião do André Marques-Smith. Temos a oportunidade de conhecer melhor outras oportunidades, como a China Girl, que inicia uma empatia maior com o leitor (pelo menos foi essa a minha percepção). 

Novamente muito bem escrito, com muito ritmo e acção. Não sou de ler séries ou trilogias. Se não me engano esta é a primeira série/trilogia que leio. Contudo, acho que o segundo volume é sempre mais denso, pois tem maior profundidade na história. 

Não vou já ler o último livro pelas mesmas razões que não li imediatamente o segundo. Mas será para breve, pois quero ler e conhecer o final desta história e destas personagens que me acompanharam durante algum tempo.

Não deixem de ler, que vale a pena.

Boas leituras.



Nota:

Esta foi uma leitura para o Desafio Literário Book Bingo "Leituras ao Sol", na categoria "Autor Lusófono".



04
Jul17

Conversas de Mil Histórias | Sandra Barão Nobre

Isa Pereira


Jardim de Mil Histórias - ASandra tem um blogue “O Acordo Fotográfico” que liga duas das suas paixões: oslivros e a fotografia. Como surgiu este blogue?


Sandra Barão Nobre - A ideia surgiuem Lisboa, em Agosto de 2010, num fim-de-semana que lá passei quando estava aaprender os rudimentos da fotografia. Num desses dias fotografei ao longe umamulher a ler e ocorreu-me que seria interessante perguntar-lhe o que lia edepois escrever sobre isso. Partilhei a ideia com uma pessoa em meados de 2011e fiz as primeiras fotos em Agosto de 2011. O Acordo Fotográfico só arrancou emDezembro desse ano. Entre a ideia e a concretização passou-se um ano e meio. Porqueme surgiu a ideia? Julgo que foi porque andava entediada com a minha vidaprofissional e precisava urgentemente de fazer algo que abanasse um pouco arotina e a minha postura comodista, na qual não me revia de todo! Aprendi que otédio, quando bem canalizado, pode estar na base da criatividade e dareinvenção.


J. M. H. - Nesteblogue fotografa pessoas a ler, pelo mundo inteiro. Houve alguém quefotografasse que a tivesse marcado de alguma forma?
S. B. N. - Ao fim de 450posts começa a ser difícil escolher... Tenho conhecido pessoas maravilhosas,com histórias de vida incríveis e generosidade suficiente para partilhá-las commilhares de estranhos. Gosto muito do texto que escrevi a propósito do meuencontro com a Maryam, no Irão, em Abril passado. Gosto muito, também, dahistória da Dora, que fotografei em Madrid, em 2013. E do post sobre o Winnie eou Touy, que conheci no Laos, em 2014.


S.B.N. -  Qualo país que mais a marcou?
É uma escolhadifícil porque todos os países que visitei estavam na minha lista de desejospor concretizar um dia. Visitar o Brasil pela enésima vez foi emocionante.Adorei Sydney, Timor-Leste foi incrível, Zanzibar é tão lindo que custa a crerque seja real, a África do Sul é belíssima, São Tomé e Príncipe não me sai dacabeça e o Irão está a transformar-se num vício. Talvez possa dizer que oVietname me marcou particularmente porque não estava à espera de gostar tanto. Foiuma paixão ensolapada que me apanhou desprevenida e que ainda não processeiracionalmente. E o Irão, também, por causa dos sentimentos mistos que mesuscita: a sofisticada e refinada cultura persa vs. o fundamentalismo islâmico;o povo mais acolhedor do mundo vs. a vida sem democracia...
Sandra Barão Nobre


J. M. H. - ASandra tem um projecto de terapia através dos livros: “A Biblioterapeuta”.Fale-nos um pouco desse projecto.
S. B. N. - Cruzei-me com oconceito de Biblioterapia em 2012/2013. Não sabia que a palavra existia, masentendi imediatamente o significado que encerrava. Havia anos que procuravaajuda nos livros e que aconselhava livros a familiares, amigos e clientes(porque fui livreira durante 12 anos) com base no seu potencial terapêutico etransformador. Parti para a volta ao mundo, em 2014, com a Biblioterapia nacabeça e quando, em 2015, decidi mudar de vida vi nela a possibilidade de umnovo caminho profissional. Obtive primeiro um certificado internacional deCoaching Practitioner e posteriormente apliquei a metodologia do Coaching àBiblioterapia que exerço. Lancei o serviço em Maio de 2016, há um ano, e estousatisfeita com a forma como tem progredido.


J. M. H. - Portantoacredita no poder curativo dos livros. Descreva uma situação em que sentiu queos livros a ajudaram.
S. B. N. - Já sentia anecessidade de me reinventar profissionalmente ainda antes de pedir a licençasem vencimento e partir para a grande viagem de seis meses à volta do mundo.Entre 2013 e 2015, já depois do regresso à vida dita “normal”, houve um punhadode livros que me ajudou a tomar a decisão de mudar de vida, de ser fiel aosmeus valores de uma vez por todas e perseguir os meus sonhos, apesar dosevidentes sacrifícios que seriam necessários. Foram eles: “Um longo caminhopara a liberdade”, de Nelson Mandela; “Como encontrar o trabalho perfeito”, deRoman Krznaric; “O elemento”, de Ken Robinson e “Projectar a felicidade”, dePaul Dolan. O clássico “Inteligência Emocional”, de Daniel Golan, foi lidomuitos anos antes, mas também foi fundamental porque me deu ferramentas para avida.


J. M. H. - Quetipo de trabalho faz a Biblioterapeuta?
S. B. N. - A Biblioterapiaque exerço — quer com clientes individuais, quer em contexto corporativo —trabalha em prol de uma mudança para melhor. Procuro conhecer o melhor possívela pessoa ou instituição que procura os meus serviços, investigo e apresento alista de títulos a ler, providencio algumas orientações para essas leituras edepois, no decorrer das sessões seguintes, trabalhamos sobre as aprendizagens edescobertas feitas e vemos de que forma podem ser aplicadas na vida do dia adia,  através do estabelecimento de umplano de acção, para potenciar uma transformação positiva. Aqui, gostaria desalientar que o grau de compromisso dos clientes é fundamental para que ométodo funcione.


J. M. H. - O quea mais fascina neste novo desafio profissional?
S. B. N. - A aprendizagemconstante e a noção de que estou a ajudar os outros.


Para mais informações sobre o livro
J. M. H. - Lançourecentemente um livro Uma Volta ao Mundocom Leitores. Como surgiu esta oportunidade? Sempre foi um desejo seu?
S. B. N. - Quando regresseida volta ao mundo, em 2014, achei que poderia ter material para
publicar umlivro sobre a experiência enquanto viajante e autora do Acordo Fotográfico.Contactei duas editoras: uma disse-me que o projecto, tal e qual e o concebera,não era comercialmente viável; a outra nunca me respondeu. Passaram-se unsmeses sem que pensasse nisso, mas a verdade é que quando fui para Cabo Verdetrabalhar, em 2015, levei comigo tudo o que tinha escrito durante a grandeviagem e ocupei as minhas horas livres a organizar os textos e a passar osdiários a limpo. O livro ficou praticamente terminado nessa altura. Depoisfechei-o na gaveta. Até ao dia 27 de Dezembro de 2016, quando chegou por e-mailo convite da Relógio d’ Água.


J. M. H. - Enquantoleitora que livros gosta de ler? E do que não gosta de ler?
S. B. N. - Dei-me contarecentemente que não leio livros de política, economia, gestão... Gosto muitode ler romances e foi o género literário que mais consumi até há uns dois outrês anos. Mas agora estou a ler muito mais ensaios filosóficos, históricos,obras da área das ciências sociais. Dos dez livros que li este ano, apenas trêseram de ficção.


J. M. H. - Que projectos tem para um futuro próximo?
S. B. N. - Tenho uma sériede projectos de Biblioterapia importantes a arrancar e para os quais tenhograndes objectivos. Não me posso adiantar muito ainda, mas julgo que terão, alongo prazo, um impacto social significativo. Vou continuar a escrever para oAcordo Fotográfico, claro, e espero que as viagens sejam uma importante fontede inspiração. Em Outubro parto para Myanmar para mais uma viagem MagellanRoute organizada por mim. Se alguém se quiser juntar ao grupo é só entrar emcontacto comigo: ainda há vagas. Em 2018 voltarei ao Irão. De forma maisimediata, estou agora a investir na promoção do meu livro “Uma Volta ao Mundocom Leitores”.


J. M. H. - Qualo livro da sua vida?
S. B. N. - Esta é aquelapergunta que me faz provar do meu próprio veneno, porque também eu a colocomuitas vezes aos leitores que fotografo e é raro alguém saber responder comconvicção. Pois bem, é muito difícil escolher apenas um livro, mas possoapontar “Os Maias”, do Eça de Queirós, como o romance que me ajudou a fazer atransição da Literatura juvenil para a Literatura dos adultos e para a grandeLiteratura. Devo-lhe muito como leitora, formou-me e tornou-me exigente.Depois, mais recentemente, “Servidão Humana”, de Somerset Maugham e “Memóriasde Adriano”, de Marguerite Yourcenar, um livro colossal que tem toda aHumanidade lá dentro. Estou constantemente a pegar nele para reler um parágrafoou outro.

Sandra, muito obrigada por estaentrevista.



29
Jun17

Conversas de Mil Histórias | Nuno Nepomuceno

Isa Pereira


Após uma longa pausa hoje retomamos um segmento aqui no blogue: As Conversas de Mil Histórias. Um espaço de conversas sobre livros com diversos convidados. 

O convidado de hoje é o Nuno Nepomuceno, autor dos livros A Célula Adormecida e da Trilogia Freelancer, composta por O Espião Português, A Espia do Oriente (opinião em breve) e A Hora Solene (opinião em breve).

Espero que gostem e que leiam os livros do autor Nuno Nepumoceno, pois valem muito a pena. 



Jardim de Mil Histórias - O Nuno é formado em Matemática. Como surgiu estapaixão pela escrita e por contar histórias?

Nuno Nepomuceno - Iniciou-se com a leitura. Por influência daminha mãe, que sempre me incentivou a isso, acabei por crescer acompanhado porlivros. Os meus gostos foram evoluindo com a idade, claro. Recordo-me de lercoleções como Os Cinco, Os Hardy ou Uma Aventura, que me eram oferecidas pelo Natal ou que iarequisitar à biblioteca municipal. Gostava bastante de o fazer, de andar pelarua com os livros na mão enquanto ia e vinha.
Depois, quando passei a ser financeiramenteindependente, é que comecei a investir mais noutros géneros, como os thrillers. Houve um momento a partir doqual, que não sou capaz de precisar com exatidão, em que comecei a sentircuriosidade sobre como seria estar do outro lado, ou seja, ter o poder de criare manipular as personagens, entrando, assim, no imaginário do leitor. Hoje emdia é isso que me motiva mais — a possibilidade de suscitar emoções em que lê omeu trabalho.

Nuno Nepomuceno


J.M.H. - A trilogia “Freelancer” teve um grande impactonos leitores. Foi com a primeira parte, “O Espião Português”, que ganhou, em 2012,o Prémio Literário Note!. Estava à espera desse reconhecimento?

N. N. - Eu já publiquei quatro livros e quer o processo, comoos resultados que obtive, foram diferentes em todos eles. É difícil dizer se euesperava ganhar um prémio revelação ou se aquele livro que eu tinha escritodurante oito anos se tornaria num sucesso comercial. Quando concorri, quisacreditar que sim, e quando O EspiãoPortuguês foi colocado à venda, desejei-lhe o melhor. Mas nunca se sabemuito bem o que vai acontecer. O mercado livreiro não é tão previsível quantopossamos pensar e, por vezes, há surpresas, sejam elas boas ou más. Eulimito-me a ser otimista.



J. M. H. -  O seu mais recente livro “A Célula Adormecida” desperta-nospara uma hipótese de ataque terrorista em Lisboa. Hoje em dia é uma hipótesebem real. O que pretendeu com esta história?


N. N. - Tive dois objetivos, essencialmente. Oprimeiro foi provocar uma mudança na minha carreira. A trilogia Freelancer acabou por deixar uma marcaalgo inesperada, sobretudo, devido ao carisma do protagonista, e eu quisdistanciar-me de tal, ou seja, mostrar ao meu público que sou um escritor commais do que uma dimensão e, através disso, cativar outros leitores. Daí A Célula Adormecida ser um romance bemmais negro do que os anteriores que publiquei, assumindo-se claramente com um thriller psicológico e não tanto como umpolicial.
Por outro lado, desejava abordar um tema quejulgo ser importante e que, infelizmente, começa a fazer parte da nossa vidadiária. Os grupos terroristas têm muitas nuances, estando, por vezes,associados as outros fenómenos de forma mais ou menos direta. Foi assim tambémque surgiu a ideia de abordar temas fraturantes da nossa sociedade, que com olivro desejei colocar sob reflexão. Refiro-me aos movimentos migratórios, àinstabilidade no Médio Oriente, ao extremismo e radicalização da Europa, entreoutros. A mensagem final que tentei transmitir foi a de tolerância. Espero quetenha chegado aos leitores.


J. M. H. - Nota-se nos seus livros um grande rigor factual,histórico e social. Faz algum trabalho de investigação prévia?

N. N. - Sim, é algo que comecei a trabalhar logo com O Espião Português, mas que tem ganhopreponderância em todo o meu processo criativo com o passar dos anos. Procuroler sobre os temas que quero abordar, visitar os locais que escolho para a açãodos livros, entrevistar especialistas ou até mesmo viver parte daquilo que desejodescrever. Por exemplo, assisti a alguns serviços religiosos na MesquitaCentral de Lisboa durante o ano em que dediquei à redação de A Célula Adormecida. E isso acabou porser muito importante para mim, pois, enquanto estava lá sentado a observar em silêncioas pessoas que rezavam, as ideias iam surgindo naturalmente.


J. M. H. - Quaisas suas grandes referências enquanto escritor?

N. N. - Em termos técnicos, não tenho ninguém. A escrita nãoé estanque e há certas formas de o fazer que aprecio e outras que nem por isso.Procuro escrever aquilo com me sinto confortável, incluindo as opções criativosque tomo, não embarcando em modas ou fórmulas que se dizem ser extremamentevendáveis na atualidade. Fora isso, há autores cuja carreira vejo como umexemplo e cujos livros me dão bastante prazer. Posso citar os casos de KenFollet e Daniel Silva, se bem que existam outros. Já li excelentes obras forado registo policial.


J. M. H. - Em que é se inspira para escrever?
N. N. - É um processo misto. Tanto pode vir de umafotografia, como aconteceu com A Espia doOriente, ou através de uma canção, como foi o caso de A Hora Solene. Ou até um livro, no caso do conto « A Cidade», com oqual integrei a coletânea Desassossego daLiberdade. Mas tento manter um espírito aberto e ser recetivo a novoselementos. Por vezes, as melhores ideias surgem de forma inesperada. Derepente, estou a escrever e é como se os dedos tivessem vida própria. Há umafrase que surge sem ser planeada e que muda tudo.


J. M. H. - Ouvimos muitas vezes os autores afirmarem que oprocesso de escrita concentra-se em 90% de trabalho e 10% de talento. Concorda?
N. N. - Eu gosto de pensar que tenho algum talento. Se assimnão fosse, não iria escrever, pois foi a vontade de mostrar aos outros o queconsidero ser capaz de fazer que me levou a começar, independentemente do muitoou pouco sucesso que viesse a ter. Mas tudo requer imenso trabalho e quandocomeçamos um livro é bom que estejamos cientes de que não vai ser fácil. Se amemória não me falha, nunca escrevi um capítulo à primeira. Chego a revê-losquatro e cinco vezes e até a reescrevê-los constantemente ou mesmo deitá-losfora.


J. M. H. - Sente de alguma forma que a literaturaportuguesa não é tão valorizada face à literatura internacional?
N. N. - Existe algum desfavorecimento, sim, mas que pensoter-se atenuado nos últimos tempos. Há autores portugueses que vendem mais emalturas muito críticas, como o Natal, do que os escritores estrangeiros. Esperoque seja uma situação que tenda a continuar a evoluir de forma positiva nofuturo. Pelo menos, o passado recente dá-nos alguma esperança nesse sentido. Háalguns anos, a ficção portuguesa debatia-se para competir com a norte-americanaou brasileira e hoje em dia lidera audiências. O mesmo tem vindo a acontecercom a nossa música. Nós temos uma relação algo curiosa com o que fazemos.Julgamos sempre que é de qualidade inferior. O que nos chega de fora exerce umgrande fascínio sobre o consumidor. Resta a esperança que, à semelhança datransformação que tem vindo a ocorrer noutros setores da cultura, o mesmo sevenha a suceder com a literatura nacional.


J. M. H. - Enquanto leitor o que gosta mais de ler? E o quenão gosta de ler?
N. N. - Aprecio essencialmente thrillers e policiais, com algumas incursões felizes pela fantasiae romances históricos, mas ciente de que um bom livro deve ser lido e,portanto, com abertura para as surpresas que poderão surgir. E não tenho nenhumgénero, formato ou autor que me cause aversão. Ler faz parte da nossa vida.Precisamos de o fazer diariamente.


J. M. H. - Qual o livro da sua vida?
N. N. - Os Pilares daTerra, de Ken Follett, e Os TrêsMosqueteiros, de Alexandre Dumas. Adoro as épocas históricas em quedecorrem e admiro os autores pelo excelente trabalho que realizaram com oslivros. O Estranho Caso do Cão Morto,de Mark Haddon, também é uma obra que me marcou muito, sobretudo, pela formacriativa e sensível com que explorou o tema do autismo.


J. M. H. - Para quem não conhece a sua obra, e no sentidode convencer o nossos leitores a ler os seus livros, qual deles define melhor asua escrita?
N. N. - Esta é uma pergunta muito difícil. Todos eles sãoespeciais para mim à sua maneira. Os primeiros porque não foi fácilpublicá-los, além de terem exigido um esforço considerável para os escrever, jáque não possuía qualquer experiência; os últimos porquetraduzem melhor a pessoa que sou hoje em dia. Prefiro que sejam os meusleitores a decidir isso.


J. M. H. - Que projetos literários tem para o futuro?
N. N. - Neste momento, encontro-me a trabalhar emmais um thriller psicológico, que,apesar de ter alguns pontos de contacto com ACélula Adormecida, não será sobre terrorismo, embora envolva de novo umagrande dimensão cultural e religiosa, além de outros elementos que sãotransversais ao meu trabalho, como aventura, romance, espionagem e alguma ação.
Estou numa fase importante do livro, mas algoembrionária, ainda, razão pela qual não sei quando será publicado. Prefirolevar o meu tempo e regressar quando me sentir preparado, quando tiver acerteza de que este é o meu melhor livro até ao momento.


J. M. H. - Nuno, muito obrigada por esta entrevista.
N. N. - Eu é agradeço a oportunidade e convido todos os leitores acontinuarem a passear pelas mil histórias do seu jardim.

20
Jun17

Opinião | "O Espião Português", de Nuno Nepomuceno | Trilogia Freelancer # 1

Isa Pereira
Título: O Espião Português (Freelancer # 1)
Autor(a): Nuno Nepomuceno
Editora: TopBooks
N.º de Páginas: 376 páginas
Edição: 2015
Temática/Género: Literatura/Romance

Classificação: 5 estrelas




Sinopse:
E se toda a sua vida, tudo aquilo em que acredita, não passar de uma mentira? O que faria?

Estocolmo, Suécia.
Encerramento da Presidência da União Europeia.

Quando André Marques-Smith, o jovem director do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português é enviado à capital sueca, está longe de imaginar que aquele será um ponto de viragem na sua vida.

Ao serviço da Cadmo, a agência de espionagem semigovernamental para a qual secretamente trabalha, recupera a primeira parte de um grupo de documentos pertencentes a um investigador russo já falecido. Mas quando regressa a Portugal, tudo muda. Uma nova força obteve a segunda parte do projecto e, de uma forma violenta e aterrorizadora, resolveu mostrar ao mundo que está na corrida pelos estudos do cientista.

Por entre os cenários reais de cidades como Estocolmo, Roma, Viena, Londres e Lisboa, a luta pelo inovador projecto começa, os disfarces sucedem-se, as missões multiplicam-se. E, enquanto é forçado a lidar com os condicionalismos de uma vida dupla, André vê-se inesperadamente envolvido num mundo de mentiras e traições; o mesmo que o levará a fazer uma descoberta que poderá mudar toda a Humanidade.

Vencedor do Prémio Literário Note! 2012, O Espião Português funde elementos tradicionais da ficção de espionagem com uma abordagem inovadora, intimista e sofisticada. Thriller intenso e vertiginoso, ode à família, amizade e amor, este é um romance imprevisível e contemporâneo ao qual não deixará de ficar indiferente.



Opinião:
Uma das muitas coisas boas que esta comunidade me trouxe foi ter a oportunidade de conhecer novos autores internacionais, mas também nacionais. Fico muito feliz por saber que a literatura portuguesa está no bom caminho e recomenda-se.

O Nuno é um bom exemplo disso. Depois de ter lido A Célula Adormecida fiquei cheia de curiosidade de ler esta trilogia. E o Nuno teve a gentileza de me enviar exemplares para poder conhecer esta história e dar opinião no blogue.

Li-o de uma forma quase compulsiva. Este é o tipo de história e de escrita que gosto. Uma leitura agradável, com ritmo e, sobretudo, muito bem escrita. Nota-se o cuidado do autor na forma como dá rumo à história e na construção das personagens. 

Um livro que nos permite viajar por alguns locais da Europa que eu tanto gosto. Uma leitura perfeita para dias mais agitados e para o verão. Escusado será dizer que estou ansiosa para voltar a esta história com o próximo volume A Espia do Oriente


Recomendo a todos. Não só aos que gostam de bons thrillers

Nota:
Este livro foi-me enviado pelo autor em troca de uma opinião sincera. 
24
Mai17

Opinião | "As Três Vidas", de João Tordo

Isa Pereira

Título: As Três Vidas
Autor(a): João Tordo
Editora: Quidnovi
N.º de Páginas: 306 páginas
Edição: 2008
Temática/Género: Literatura/Romance

Classificação: 3,5 estrelas



Sinopse:
Que segredos rodeiam a vida de António Augusto Milhouse Pascal, um velho senhor que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e um rol de clientes tão abastados e influentes como perigosos e loucos? São estes mistérios que o narrador - um rapaz de família modesta - procurará desvendar durante mais de um quarto de século, não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por aquela estranha personagem se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.
Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e cruzando a história sangrenta do século XX com a das suas personagens, As Três Vidas é, simultaneamente, uma viagem de autodescobertas através do «outro» e a história da paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Milhouse Pascal, e do destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do avô, inexoravelmente ligado à sorte de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da corda bamba em que se sustém.



Opinião:
O último (e único) livro que li do João Tordo deixou-me deslumbrada. Não só pela sua capacidade de contar histórias, mas sobretudo pela sua escrita. Quis ler mais. Decidi que este seria o próximo.

Não me conquistou como eu esperava. É certo que a história deixa-nos intrigados. Queremos mais. Considerei que todo o mistério que o autor criou na narrativa, de facto mantém o interesse do leitor. Contudo, achei algumas passagens da história um pouco forçadas e desnecessárias. Também não consegui sentir qualquer empatia com as personagens. 

É indiscutível a qualidade da escrita do autor. Envolvente, cativante. Gostei do rumo que o autor deu à história e às personagens. Os factos reais que incluiu na narrativa deram um "ar mais real" à história. Mas a certa altura a história tornou-se "excessiva". 

No entanto, não deixem de ler. Uma boa história, de um autor português, com bastante mistério.

Boas leituras. 

Mais sobre mim

foto do autor

Isaura's bookshelf: currently-reading

A Mulher Secreta
tagged: currently-reading

goodreads.com

Sigam-me

Links

  •  
  • Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

    Rubricas

    Arquivo

    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2020
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2019
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2018
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2017
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2016
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2015
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2014
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    Em destaque no SAPO Blogs
    pub